Relatório (clicar na imagem para fazer download do relatório)

15 01 2009





O segundo “Parlamuito” de Portugal

15 11 2008

É neste dia, 13 de Novembro de 2008 que é revogada a suspensão do deputado mais controverso do momento na região autónoma da Madeira ( e porque não de Portugal inteiro?!) e como tal, este post destina-se a fazer um breve resumo deste insólito caso da política nacional.

A 5 de Novembro de 2008, José Manuel Coelho, deputado único do Partido Nova Democracia na Assembleia Legislativa da região autónoma da Madeira desencadeou um conjunto de acções que lhe irão reservar um lugar na estante dos políticos, ou mais originais, ou mais absurdos: no início da sessão de trabalhos, o deputado distribuiu cravos vermelhos aos demais deputados presentes no parlamento regional; a compreensão deste acto deu-se instantes depois, aquando da discussão da alteração do regimento da assembleia, momento escolhido pelo deputado para apregoar de forma bem audível o termo “fascistas”, referindo-se aos membros presentes do PSD Madeira, acusando o presidente do Governo regional da Madeira, Alberto João Jardim de ter ordenado por três vezes a sua execução, envolvendo-se em acesa discussão com o líder da bancada parlamentar do PSD, Jaime Ramos. O ponto culminante de toda esta paródia é atingido quando José Manuel Coelho desfraldou em pleno parlamento a bandeira nazi, com o símbolo da cruz gamada em grande plano, levando Jaime Ramos e toda a bancada social democrata a efectuar dois requerimentos ao presidente da assembleia legislativa madeirense, Miguel Mendonça: o primeiro a exigir a suspensão e levantamento da imunidade ao deputado do PND, para que este fosse alvo de acusação por parte do Ministério Público e o segundo a requerer a suspensão do plenário até que judicialmente José Manuel Coelho ficasse sem o seu mandato. Ao ser expulso da sala, o deputado ainda tentou colocar a bandeira na mesa do líder da bancada do PSD, trocando posteriormente insultos com os restantes membros do PSD, já fora do parlamento. No dia seguinte, os seguranças do parlamento impediram a entrada do membro da Nova Democracia, o que despoletou um enorme pagode junto á entrada, que só veio a aumentar com a expulsão do substituto do mesmo, Baltazar Aguiar, por ter protestado com a forma de tratamento a que o seu colega estava a ser sujeito. Passada uma semana, o parlamento da região autónoma revogou os dois requerimentos aprovados pela votação do PSD ( o PP absteve-se e a restante oposição votou contra, todavia os sociais democratas possuem maioria absoluta) por iniciativa do próprio Miguel Mendonça, por achar que estas medidas infringiam as leis consignadas na Constituição; quanto a José Manuel Coelho, espera ainda uma notificação formal em como pode voltar a reiniciar os seus trabalhos na assembleia legislativa.

Apesar de todo este envolvimento dos órgãos de comunicação social portugueses, apesar de em toda a sua génese este ser um caso cómico de tão insólito que é, não se podem deixar de abordar duas temáticas que advém deste acontecimento: a ascensão do nacionalismo em Portugal e a verdadeira (in)competência do parlamento madeirense. Quanto á primeira, já tínhamos assistido a manifestações nacionalistas em Portugal Continental, mas foram acções de rua, levadas a cabo por civis, ainda que o caso “Mário Machado” tenha tido uma conotação política (“potencial” ligação ao Partido Nacional Renovador) e não acções num parlamento autónomo, por parte de um deputado de um Estado de direito democrático, que de certeza não representou da melhor forma a população que o elegeu para uma assembleia legislativa que se assemelha a uma tertúlia, mas onde já nem a educação e a dignidade são uma primazia. Muitos afirmam que a Madeira tem plenas capacidades para ser independente de Portugal Continental, contudo o “único” problema reside no facto de ser impossível formar-se uma nação, onde repetidamente os detentores do poder político se atingem reciprocamente com insultos mais que explícitos, sem que haja controlo e rigor nas acções que lá dentro são desencadeadas. Onde está a legitimação desses actos? Onde está a credibilidade deste Parlamento?

Tiago Mourão





A web 2.0

15 11 2008

No contexto do nosso trabalho pensamos ser importante introduzir o conceito Web 2.0, enquanto um conjunto de ferramentas, um conjunto de ideias que serviram para reinventar a Web, e devolver o desenvolvimento desta aos indivíduos e aos grupos.

O termo Web 2.0, é da autoria de Tim O’Reilly, vice-presidente da O’Reilly Media Inc., tendo surgido pela primeira vez em 2004.

A Web 2.0 deve ser visto não como uma oposição ao termo Web 1.0, uma vez esta última é a base e origem dos desenvolvimentos da outra, muito propiciada pela larga implementação da internet em todo o mundo.
Então a Web 2.0, não deve ser vista como um novo tipo de tecnologia, antes descreve melhor, uma nova orientação e actualização dos serviços disponíveis, uma nova tendência que reforça o conceito de troca de informações e colaboração dos internautas, fazendo assim com que os indivíduos se tornem simultaneamente utilizador e produtor dos conteúdos disponibilizados na rede.

Como exemplo destes serviços que hoje já encontramos altamente implementados por todo o mundo, temos os blogues, as wikis, serviços de partilha de dados multimédia, podcasts, entre outros.

As principais alterações podem ser assim descritas:

• Os sites deixam de ser espaços estáticos, com pouca interactividade e participação dos utilizadores.
• O software que antes apresentava versões finais, passa a ser constantemente actualizado, e o utilizador torna-se na fonte de informação para futuros melhoramentos.
• As redes sociais, multiplicam diariamente o seu número de utilizadores, formando grandes comunidades virtuais.
• Os conteúdos disponibilizados na internet, são cada vez mais dinâmicos, a publicação e revisão destes, pode ser feita tanto por editores especializados ou pelos próprios utilizadores.
• A Web passa a representar uma nova oportunidade de investimento para as empresas, uma vez que está em constante desenvolvimento e o seu número de utilizadores não para de aumentar.

Assim, Web 2.0 é um termo que surge para dar nome à evolução constante que a internet vem sofrendo desde o seu nascimento, apresentando-se não como uma revolução, mas como uma nova dinâmica, um conjunto de ideias, que devolvem a internet ao utilizador sem a necessidade deste possuir aprofundados conhecimentos informático.

Assim, Web 2.0 é um termo que surge para dar nome à evolução constante que a internet vem sofrendo desde o seu nascimento, apresentando-se não como uma revolução, mas como uma nova dinâmica, um conjunto de ideias, que devolvem a internet ao utilizador sem a necessidade deste possuir aprofundados conhecimentos informático.

Para um maior aprofundamento destas questões será útil consultar:
http://www.oreillynet.com/pub/a/oreilly/tim/news/2005/09/30/what-is-web-20.html

Sérgio Abrantes





A extrema-direita existe?

15 11 2008

Fica aqui a reportagem “A extrema-direita existe?” efectuada pela RTP em 2006.

Os movimentos nacionalistas em Portugal são de especial interesse para o nosso trabalho visto que se baseiam a sua actividade na internet e nas novas tecnologias.

O fantasma da extrema-direita esteve adormecido longos anos na Europa e o seu progressivo avanço desde o final da segunda grande guerra foi sempre subestimado pela opinião pública até ao dia 21 de Abril de 2002, quando Jean-Marie Le Pen, líder da Front National, conquistou na primeira volta, 4,804,713 votos e chegou à segunda volta na qual foi manifestamente derrotado pelo candidato Jacques Chirac.

Também em outros paises como a Holanda, Dinamarca, Noruega, Austria ou Itália a extrema-direita tem alcançado sucessivas vitórias.

Uma curiosidade bastante interessante sobre esta peça informativa é que foi na sequencia deste trabalho que Mário Machado foi detido.



 

 

Hugo Serra Riço





Desafio

6 11 2008

Caros colegas,

Gostavamos de vos propor um desafio.

Como sabem Barack Obama foi eleito na madrugada de terça para quarta feira, o 44º Presidente dos Estados Unidos da América. É um lugar-comum associarmos os Estados Unidos da América a um racismo exacerbado, principalmente se tivermos em conta que ainda há pouco mais de 40 anos, a sociedade americana vivia uma autêntico apartheid, e existiam fenómenos como o Ku Klux Klan, no entanto será interessante ser feita uma reflexão sobre a possibilidade de um pais da Europa poder eleger um negro para um cargo desta envergadura. Acham que seria possivel por exemplo vermos um argelino a presidir França? Um angolano a presidir Portugal? Queremos saber a vossa opinião!

Enviem os vossos comentários para hugorizzo@gmail.com





Opinião: As presidenciais americanas 2008

5 11 2008

Finalmente! Após uma campanha quase interminável, os Americanos já elegeram o seu 44º presidente ou será que devo dizer: o Roosevelt dois?
É certo que estão depositadas em Obama expectativas altíssimas, Obama tem à sua frente nada mais nada menos que enfrentar uma crise financeira, que ameaça descambar, se é que não descambou já em crise económica e devolver aos Americanos toda a confiança necessária para que possam revigorar a sua economia, depois de um tal de George W. Bush ter conseguído um feito histórico: delapidar toda a base eleitoral do Partido Republicano, conquistada nos anos de Reaggan.
Como europeu que sou não poderia estar mais contente com estes resultados, não que a minha balança costume pender para a esquerda, mas simplesmente porque nos Estados Unidos da América não existe esquerda. Existem os que ainda acreditam que existe realmente uma “mão invisível” que zela pela regulamentação do sistema financeiro americano (será que provavelmente a razão para que essa suposta mão não tenha actuado não será o facto de ser invisível mas talvez quiçá inexistente?) e os que ideologicamente se distanciam milimetricamente destes, mas que sempre que são eleitos, acabam por ceder a pressões e lobbies (vem-me à memória uma dada liberal democrata e um lobbie das seguradoras de saúde), o que se consubstancia praticamente no mesmo.
A tradição capitalista está de tal forma enraizada nos Estados Unidos que um dos últimos argumentos de John McCain, quando desesperadamente e pressionado pelas sondagens, foi o de acusar Obama de ser um “socialista” como se de um cancro ou maleita se tratasse e inclusive em jeito irónico utilizou as palavras de Obama a Joe, The Plumber “redistribuir a riqueza” para definir o quão perigosa a politica de Obama poderá ser. “Caros Americanos não votem no Obama porque ele vai redistribuir a riqueza, ou seja vai basicamente fazer aquilo que qualquer político europeu que se preze está habituado e a que qualquer pessoa com o mínimo de sentido cívico defende”. Penso que nem o PND, quando não exibe suásticas na assembleia legislativa madeirense, usa tais argumentos.
O mundo está realmente cheio de fait-divers e engana-se o leitor se pensa que nós em Portugal estamos num melhor caminho: Nos Estados Unidos há um Presidente socialista que diz que não o é, em Portugal temos um primeiro-ministro não socialista que faz questão de o parecer ser.

Hugo Serra Riço





Barack Obama é o 44º Presidente dos Estados Unidos da América

5 11 2008

“Somewhere in Chicago there’s a little girl who’s happy, because she’ll have a new puppie when she goes to live in the white house”.

Foi com esta frase descontraída que Obama terminou o discurso da vitória ontem em Chicago depois de confirmada a sua vitória nas eleições presidenciais de 2008, tornando-se desta forma o 44º Presidente dos Estados Unidos da América, numa vitória expressiva do democrata que conquistou mais de 330 votos eleitorais, ou seja, mais do dobro do seu adversário republicano John McCain.
Obama conquista assim cerca de 338 votos eleitorais, contra os 163 de McCain e vence dois dos principais “swing states” em disputa, Ohio e Florida, que rendem assim ao democrata 47 votos eleitorais. Por outro lado, arrecadou também a vitória na Virginia, estado republicano desde 1964.

Num grande exercício democrático, os americanos mobilizaram-se em força e foram às urnas eleger o seu 44º presidente. A afluência às urnas rondou os 66%, o que significa um número nunca ultrapassado desde há cem anos na eleição de William H. Taft em 1908.

Não só o nome do 44º presidente dos estados unidos da América estava em jogo, foram renovados também os nomes dos ocupantes do Senado. Numa eleição considerada como um “defining moment”, a América acabou mesmo por dar uma grande lição de civilização e democracia ao mundo elegendo o primeiro presidente não branco. É um lugar-comum associarmos os Estados Unidos da América a um racismo exacerbado, principalmente se tivermos em conta que ainda há pouco mais de 40 anos, a sociedade americana vivia uma autêntico apartheid, e existiam fenómenos como o Ku Klux Klan, no entanto será interessante ser feita uma reflexão sobre a possibilidade de um pais da Europa poder eleger um negro para um cargo desta envergadura.

Segundo sondagem à boca de urna efectuada pela CNN, 62% dos eleitores escolhe a economia como tema prioritário da nova administração. O Iraque é também referido por 10% dos inquiridos e a saúde por 9%. A eleição de Obama só vem confirmar a tendência dos últimos meses de responsabilização do Partido Republicano e dos partidários da “mão invisível”, pelo caos financeiro em que se encontra a América.

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A dez dias de uma cimeira G20 em Washington, os europeus vêm na eleição de Barack Obama, o relançar de um novo sistema financeiro mundial no qual os Estados Unidos assumirão um papel decisivo.
O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, fala mesmo numa “nova ordem” e num “new deal”, fazendo desta forma uma analogia entre a crise actual e a grande depressão que teve inicio em 1929 e que culminou com a eleição de Franklin Delano Roosevelt. Desafia também o novo presidente a juntar-se à Europa em prol da economia mundial.

Para os líderes Europeus, a esperança de que a vitória de Obama represente uma renovação das relações entre Europa e Estados Unidos apresenta mesmo um carácter prioritário.

O vice-ministro russo dos negócios estrangeiros Grigori Karassine, referiu que a Rússia espera “um vento novo nas relações americanas, em relação a todos os problemas importantes da política externa, nomeadamente em relação à Rússia” e “que esta renovação nos traga soluções mais construtivas para enfrentar os novos desafios, entre eles a crise financeira”, e já apresentou a sua disponibilidade em cooperar a todos os níveis com o novo inquilino da Casa Branca, segundo agência Ria Novosti.

No entanto o primeiro líder Europeu a felicitar Barack Obama foi o francês Nicolas Sarkozy que felicitou o democrata pela sua campanha e o povo americano pela lição de democracia que deu ao mundo; seguido pela Chanceler alemã, Angela Merkel, mais comedida nas suas palavras mas que também felicitou o novo presidente e sublinhou a importância da parceira transatlântica.

Gordon Brown também felicitou Obama pela sua vitória, acrescentando a vitalidade da relação do Reino Unido com os Estados Unidos, como principal factor de prosperidade e segurança do primeiro e a Itália de Berlusconi, politicamente mais próxima do partido republicano e administração Bush, salienta através de Paolo Bonaiuti que as relações com os Estados Unidos continuarão a ser “amigáveis”.

Também Espanha e Polónia acabaram por felicitar Barack Obama e salientar a esperança de mudança que o democrata representa assim como José Sócrates que considera que a eleição de Obama representa “uma oportunidade de mudança para os Estados Unidos e para o mundo” e que a vitória do candidato do Illinois é “um momento histórico”.

Já Jan Peter Balkenende, primeiro-ministro holandês, para além da economia refere também outras temáticas como prioritárias na acção de Obama como o aquecimento global, o combate ao terrorismo e o respeito pelos direitos humanos.

No resto do Mundo, o Paquistão, um dos braços direitos americanos na guerra contra o terrorismo e a única potencia nuclear muçulmana, na voz de Yousuf Raza Gilani considera que a eleição de Barack Obama possa promover a paz e a estabilidade na região e Amr Moussa, secretário-geral da liga árabe também sublinhou a necessidade de mudança nos Estados Unidos e principalmente na relação destes com o mundo, apelando a uma mediação honesta, algo que não reconhece na administração Bush.
O Afeganistão também recebeu bem a eleição de Barack Obama e apelou à continuidade e reforço da acção americana contra os insurgentes talibãs que vitimaram cerca de 4 mil pessoas só este ano e na América latina, Hugo Chavez que em Setembro passado expulsou o embaixador Americano em Caracas e manteve relações tensas com a administração Bush, exprimiu hoje a sua vontade de estabelecer “novas relações” com os Estados Unidos e relançar “uma agenda bilateral construtiva” para o bem-estar dos dois povos.

O Quénia, pais de origem do pai de Barack Obama foi mesmo o mais efusivo nos festejos, decretando o dia 6 de Novembro como feriado Nacional.

Hugo Serra Riço